Bem-vindos ao “Estórias de Bicharocos e Bicharada”, um blogue dos 7 aos 77 anos

sábado, 11 de julho de 2009

Osvaldo - O Caranguejo–Marinheiro


Chove torrencialmente. As crianças encostam os rostos tristonhos à janela que espreita, sorrateira, o vasto jardim que rodeia alegremente o blogue da Helena.

As árvores tremem agitadamente face ao frio que, impiamente, as pequeninas folhas dos seus ramos parece devorar. Insaciavelmente.

Estamos, contudo, em pleno mês de Julho. As crianças acordaram cedo. Vestiram-se de cor e alegria e por entre baldes, pás, moinhos de vento e tantos outros apetrechos e ternos sorrisos preparavam-se para a sua primeira ida à praia.

Lilly contempla as crianças sentada no conforto do amplo sofá. O cesto com as sandes de queijo e os bolinhos de coco descansa, contrariado, na mesa da cozinha. As bebidas, ainda frescas, tentam aquecer-se dançando sobre a toalha branca com motivos de mar.

Algumas lágrimas rolam sob os rostos incrédulos que colados ao vidro, agora baço, tentam, em vão, avistar ao longe os preciosos raios de sol.

Lilly abre um pequeno livro em forma de concha. Sente-se a maresia invadir a sala. As crianças correm para junto de si e com os olhinhos reluzentes aguardam, impacientes, a história por contar.

Fala de uma praia distante. Um lugar de sonho no qual Osvaldo, o caranguejo–marinheiro, transporta no seu velho barco a remos um grupo de turistas. Ouve-se o canto das sereias que acompanha o bater ritmado das ondas na proa do barco.

As crianças sorriem. Entram no pequeno barco e deixam-se conduzir a uma pequenina praia banhada por búzios e algas multicolores. A água tépida e límpida deixa antever o bailado cronometrado dos inúmeros peixes que, sob as longas caudas, parecem pintar uma tela no fundo do mar.

As crianças sentem o sol bater nas suas faces. O tapete da sala transforma-se num suave areal que conforta os seus pezinhos descalços.

Lilly está radiante. Osvaldo fala dos seus feitos heróicos e alerta as crianças para os segredos escondidos na suavidade das ondas que beijam, docemente, o casco do barco.

O sonho interrompe-se por breves instantes. Batem à porta. Quem será?
Lilly apressa-se, curiosa, e o silêncio irrompe a sala …
A porta está totalmente aberta. O sol invade o amplo espaço e um encorpado caranguejo, em tons de vermelho–fogo, espreita timidamente dizendo:

“Olá. Sou o Osvaldo – o caranguejo–marinheiro. Estava de caminho para casa quando avistei este belíssimo jardim e resolvi espreitar … Posso entrar?”.

Texto de Carla Alves - Blogue: Velas ao Vento (Todos os direitos de autor reservados)

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