Bem-vindos ao “Estórias de Bicharocos e Bicharada”, um blogue dos 7 aos 77 anos

sábado, 28 de novembro de 2009

Condomínio Ciconiforme


- Ó mãe, mãããe!...... Mãe!!!....... Mãããããããããeeee!
- Pimpolha, filha, não grites! Não vês que estou a conversar com a vizinha?
- Mas mãe…
- Nem mãe, nem meio mãe. Acalma-te que estou a ter uma conversa muito importante com a D. Micas. Continue vizinha, estava a dizer que aqueles vizinhos novos são um bocado estranhos… Então… e porquê?
- Digo-lhe vizinha, são mesmo estranhos. Para já, embora tenham algumas semelhanças connosco… Bom, têm duas asas e duas patas, não é? Mas… são de outra cor, cinzentos… são mais baixinhos… Não sei, não me agradam… são diferentes.
- Hum… realmente, quando aqui chegaram reparei que têm uma forma diferente de voar da nossa, retraiem o pescoço e batem as asas lenta e pesadamente. Ao longe até me assustaram, cheguei a pensar que seriam águias e temi pelos nossos pequenotes.
- Sabe, é nestas alturas que fico contente por viver num condominio como o nosso, afinal em cada ramo temos um vizinho, a proximidade faz-me sentir mais segura. Mas agora com aqueles vizinhos estranhos… diferentes!... não sei, não.
- Ó mãe quando é que o pai chega do trabalho?
- Lá estás tu a interromper! Não sei Pimpolha. Foi levar um lindo bebé a um casal de humanos lá para cima, para os lados de Guimarães e concerteza vai chegar muito tarde.
- Sabe vizinha, encontrei o seu marido precisamente quando ele ía a sair. Coitado, estava a queixar-se que o bebé era muito pesado, um rapagão bochechudo mas tão bonito e tão cutchi-cutchi-cutchi!
- Já disse várias vezes ao meu Manéli, “Manéli tens de te reformar, já não tens saúde para isto homem”. Mas ele responde que não há nada que o faça mais feliz do que ver a felicidade estampada na cara de cada casal a que ele entrega um bebé. E quando são dois? Ele diz que até chora de comoção! Ái, ái, é assim o meu Manéli, um sentimentalão! Tem um coração do tamanho do mundo!
- Mãe, estive a falar com os vizinhos novos.
- O quê Pimpolha?!! O que é que já te disse sobre falares com estranhos? Nunca faças isso, podem enganar-te com conversas matreiras e fazer-te mal. Não quero dizer que todos os estranhos sejam maus, mas é preciso ter cuidado. Repito, és muito pequenina e podes ser facilmente enganada.
- Mãe, não te preocupes, estava lá também o Sr. Nónio. Aliás, foi ele que conversou com os vizinhos novos, eu fiquei a ouvir.
- Ah, assim fico mais descansada.
- Sabes, eles não entregam bebés como nós.
- Não?!!!
- Não.
- Eu bem digo vizinha, são mesmo estranhos!
- Não são, não! Mãe, D. Micas, as garças são um bocadinho diferentes de nós mas são muito, muito simpáticas. Elas contaram que andam de condominio em condominio a ver se existe alguém que precise de ajuda, como por exemplo, uma cegonha que já não possa voar, e trazem-lhe peixinho para comer. E mais, recrutam outras aves para ajudar também. Assim, quando se vão embora, fica alguém a tomar conta dessa cegonha.
- Ahhh, e eu que pensava que mais ninguém tinha um coração tão grande como o meu Manéli!
- Pois é mãe, pois é D. Micas, não devemos recear e julgar quem é diferente de nós, de outro tamanho, de outra cor… Primeiro devemos saber como realmente são!
- E não querem ver que tenho uma filhota que sabe dar bons conselhos! Tenho muito orgulho de ti, minha Pimpolha!
- Isso quer dizer que hoje posso repetir a sobremesa? Posso, posso?
- Não abuses!… hehehe



Queres saber mais sobre as aves que participam nesta estória? Então vai ver:
Cegonha-branca:
http://www.avesdeportugal.info/ciccic.html

Garça-real:
http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html



Texto de Helena Paixão (Todos os direitos de autor reservados)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Ostraceiro da Paixão


O ostraceiro da Paixão é um bicho vaidozito
pica por todos os cantos, pica, pica, com jeitito


Passa a vida no picanço sempre em volta dos pés dele
Pica aqui e pica ali, mas nunca se pica a ele


Tem pintinha de vaidoso, é bonito, ar de gingão
Papa ostras e peixinhos, o ostraceiro da Paixão


Entra mudo e sai calado, neste charco onde apareceu
Gosta do som do calado, às vezes enamorado, leva no bico o que deu


Vagueia por muitos mares, águas salgadas e rios
P'ra ele não há fronteiras, a vida são desafios


Tem tempos de solidão, tem momentos de alegria
Quando se fala de amor, o ostraceiro, ele até pia


Agora vejam-no bem, com esta peço perdão
Estava à espera destes versos, o ostraceiro da Paixão


Texto de Rui J. Santos (Todos os direitos de autor reservados)

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