Bem-vindos ao “Estórias de Bicharocos e Bicharada”, um blogue dos 7 aos 77 anos

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Joãozinho reguila

Esta é a história do Joãozinho, um menino muito traquina e irrequieto. O Joãozinho é tão reguila que tudo lhe serve para brincar e pregar partidas. Gosta muito de se esconder e pregar valentes sustos à mãe. A mãe, coitada, dá sempre um grande pulo muito assustada quando ele salta detrás das portas, qual boneco de molas. E embora lhe diga que não a deve assustar, nem deixar os brinquedos espalhados pela casa e desarrumar as gavetas, entre outras traquinices, o Joãozinho volta sempre a fazer o mesmo.

Estarão a pensar “mas se neste blogue só entram estórias de bicharocos e bicharada porque aparece agora a história de um menino?”. É que este menino, de tão reguila e irrequieto que era, andava sempre a fazer marotices aos animais. O Tareco e o Pantufas, o gato e o cão lá de casa, já fugiam dele cada vez que o viam, depois de tantas vezes ele lhes ter feito maldades. O Tareco, com os seus grandes bigodes de gato, era o que sofria mais, o pobre!

- Miaaaaauuuuu! - berrava o Tareco sempre que o Joãozinho lhe escondia o peixinho do almoço. Mas o Joãozinho não o entendia. Não percebia que ele lhe dizia que estava cheio de fome e queria muito comer aquele peixinho.

- Au, au, aaaauuu, auuu! - lamentava-se o Pantufas quando recebia mais um valente puxão no rabo - “Assim magoas-me!” - queria ele dizer mas… o Joãozinho não o entendia.

Mas não pensem que o fazia por mal, não, fazia-o porque não percebia que os animais também têm sentimentos.

Um dia a mamã e o papá do Joãozinho levaram-no a passear ao jardim zoológico. O Joãozinho estava espantado com tantos animais, tão diferentes uns dos outros, uns muito grandes, outros muito pequenos. Estava muito feliz!

Ao passarem pelo recinto do tigre-da-sibéria o Joãozinho ficou espantado.

- Mamã, olha! Um tigre a lamber o outro, porquê?

- Então querido, é assim que eles demonstram que gostam muito um do outro. É a mesma coisa quando vens para o meu colinho e te faço muitas festinhas – explicou-lhe a mãe.

- Ah, sim?

- Sim.

Foram passeando pelo zoo. Os pais lá lhe iam explicando com muita paciência de onde vinha cada animal, qual o seu nome e o que comiam.

Estavam a ver os elefantes a brincar quando o elefante bebé, assustado com um empurrão de outro elefante, se foi aninhar junto da sua mãe.

- Mamã, parece que o elefante bebé está a pedir miminho à mãe como faço contigo quando me magoo.

- E está, Joãozinho!

O Joãozinho ficou pensativo e começou a prestar mais atenção ao que os animais faziam.

Quando passaram pelo recinto dos chimpanzés o Joãozinho ficou muito comovido.

- Oh, a mamã chimpanzé também dá colinho ao bebé dela e dá-lhe beijinhos nos pés como fazes comigo na brincadeira papá!

- Claro – disse o papá – os animais também gostam de brincar.

Quase a terminarem a visita ao zoo, o Joãozinho teve outra surpresa. Desta vez viu uma Mara a dar um beijinho, sim um beijinho!, ao filhote.

De regresso a casa os pais perguntaram-lhe o que tinha achado do jardim zoológico.

- Gostei muito! Obrigada mamã e papá, foi o melhor dia da minha vida. Hoje aprendi uma coisa muito importante.

- Uma coisa muito importante? Qual? – disse o papá.

- Aprendi que os animais também têm sentimentos, que também gostam de brincar… Não compreendia quando vocês me diziam que fazia muitas maldades ao Pantufa e ao Tareco mas agora… sinto vergonha e prometo que nunca mais o faço.

- Que bom – disseram os pais – percebeste que devemos respeitar os animais!

Texto de Helena Paixão (Todos os direitos de autor reservados)


Queres saber mais sobre os animais que participam nesta estória? Então vai ver:
Tigre-da-sibéria:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tigre-siberiano
Elefante:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elefante
Chimpanzé:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chimpanz%C3%A9
Mara (ou Lebre-da-Patagónia):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mara_%28roedor%29

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Porquinho-da-índia Mimoso


Era uma vez um porquinho-da-índia chamado Mimoso, muito querido por todos. Costumava brincar no pátio com as crianças, com o cão e o gato. Era bem recebido em todos os lugares, por ser pequenino, gordinho e simpático.

Mas, apesar disto, a verdade é que não estava totalmente feliz e satisfeito. O que acontecia era que o Mimoso era muitíssimo guloso e há muito tempo que não lhe saia do pensamento umas maçãs muito madurinhas que avistou num quintal bem perto do sítio onde morava. Pensava tanto nelas, que não conseguia fazer mais nada e isso deixava-o triste.

Os seus amigos preferidos: o gato Fausto e a cadela Kiara estavam preocupados por saberem que ele pensava tanto naquelas maçãs. Isso não ia dar bom resultado, não ia não...

- Au! Au!, dizia Kiara meio zangada. As maçãs não são tuas, são do vizinho, por isso não podes comê-las. Tira-as do teu pensamento.

- Miau! Miau! aconselhava o Fausto. Lembra-te meu amigo que não se deve cobiçar o que é dos outros. É um pensamento muito feio.

Nessas alturas o Mimoso baixava a cabeça meio envergonhado. Sabia que os seus amigos tinham razão. E fazia mil promessas de que não tocaria nelas. Mas, ele sabia o quanto estava difícil esquecê-las!

Um certo dia, o Mimoso resolveu passear sozinho. Saiu de casa, atravessou o quintal e sempre pela berma fez-se à estrada.

Ora correndo atrás de uma borboleta, ora brincando com as formigas, ora rebolando na terra gostosa.


O certo é que se afastava cada vez mais. De repente parou preocupado. Apareciam umas nuvens muito escuras no céu e um vento frio começou a soprar. Será que vinha aí um temporal?

- Espero que não faça trovões, pois tenho medo! – disse o Mimoso.

Mal tinha acabado de falar, ouviu o primeiro trovão, e disse: Tenho que voltar bem depressa para a minha casinha’’.

E girando as patinhas começou a correr. Para encurtar caminho foi por uns atalhos e ao atravessar uma cerca de arame farpado, o coitado quase ficou preso. Mas a chuva começou a cair com tanta força, que o Mimoso rapidamente ficou ensopado até os ossos e como começou a ficar muito cansado procurou um abrigo em baixo de uma árvore. A chuva continuava a cair em grossos pingos.

De repente o Sol surgiu como por encanto no céu azul.

Mimoso levantou-se resolvido a ir embora para casa, mas começou a sentir um cheirinho muito seu conhecido. Levantou o focinho. Que maravilha! Lá estavam na árvore as maçãs madurinhas e cheirosas!

Mas que tentação...

De boca aberta e olhos brilhando de cobiça, o Mimoso começou a dirigir-se para a árvore. Começou a mexer os galhos da macieira com força para que as maçãs caíssem e ele pudesse então comer, comer muito.

Mas, uma maçã muito madurinha teimava em não cair. Mimoso com a sua patinha tentou apanhá-la e perdeu o equilíbrio. Foi então que caiu numa lata de tinta vermelha que se encontrava por baixo da árvore.

- Que é isto? Onde fui cair? Gritou ele muito assustado.

Sacudiu-se então com muita força, mas a tinta não saia. Zangado consigo mesmo foi para casa a fim de limpar-se. Porém ai é que foi o pior, pois ninguém o reconheceu assim pintado de vermelho. Todos fugiram, cheios de medo.

O gato Fausto quase que lhe arranhou o focinho, e por um pouco, a cadela Kiara não lhe mordia.

Aí o Mimoso falou: Amigos sou eu, peço-vos para me esfregarem pois eu fui amaldiçoado por tentar comer as maçãs que não me pertenciam.

Então os amigos ficaram com muita pena do que lhe acontecera e trataram de lavá-lo. Esfregaram, esfregaram...mas a tinta não saiu mesmo.

Resultado: ninguém mais o chamou mais por Mimoso. Agora a sua alcunha era “o vermelho”.

E isso muito o entristecia! Porém, não tanto como a lembrança da feia acção que havia praticado. O gato Fausto e a cadela Kiara tinham razão, a cobiça é de facto muito feia. O Mimoso aprendeu a partir daí que se deve saber aceitar, com humildade, o que a vida nos dá.


Queres saber mais sobre os porquinhos-da-índia? Então vai ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Porquinho-da-índia


Texto de Teresa Escoval (Todos os direitos de autor reservados)

Fotografias © Helena Paixão

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