Bem-vindos ao “Estórias de Bicharocos e Bicharada”, um blogue dos 7 aos 77 anos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Lilly – O porto que fica para além da poesia (continuação)...


Lilly, a pequenina louva–a–deus, voava alegremente num céu de flores coloridas quando, de repente, um portão gigante lhe vedou o caminho.

Curiosa, espreitou! Os seus olhinhos reluzentes encheram–se de vida. “Que lugar magnifico!”. “Que jardim encantador”. “Que palavrinhas tão deliciosas para eu saborear, lentamente, ao serão”.

As suas asas encheram–se instantaneamente de brilho e Lilly, pegando no seu pincel imaginário, pintou–as em tons de festa.

Aproximou–se, destemida. O portão estendeu os seus braços levemente enferrujados e cumprimentou carinhosamente Lilly, oferecendo–lhe uma raríssima tulipa amarela recheada a rum e chocolate.

O cheiro a Primavera perfumou o seu elegante vestido e Lilly bateu, harmoniosamente, as asas deixando–se levitar. Dançou, incansável, ao som de lírios multicolores; cantou, melodiosamente, ao ritmo adocicado da sua harpa de algodão–doce que, lentamente, desfiava as notas (musicais) que saltavam da batuta do dócil maestro – o endiabrado esquilo tenor.

Lilly estava feliz! “Sim” “Ficarei aqui” “Este será o meu novo habitat”, pensava ela, enquanto todos os bicharocos do blogue a aplaudiam encantados. Adoravam Lilly – este ser mágico, irrequieto e cheio de alegria que tanta vida trouxe a este espaço.

Lilly sonhava acordada: já se imaginava a construir os pequeninos canteiros de flores que embalariam tanta poesia, tantas palavras soltas, envoltos em sabores e cores sem fim, construindo um verdadeiro puzzle de emoções.

Lilly agradecia, compassadamente, os aplausos e dando azo a tamanha alegria teceu um bailado impregnado de rara beleza: as suas elegantes asas cobriram–se de lantejoulas cor de champanhe e quando, no ar, delicadamente esvoaçavam polvilhavam o céu de pequeninas estrelas cintilantes.

À medida que as estrelinhas desciam Lilly acompanhava–as, suavemente, e conduzia–as ao lugar que, cada uma delas, ocuparia no blogue para que, a sua luz resplandecente, acompanhasse a leitura atenta de todos aqueles que, por aqui, quisessem passar.

Texto de Carla Alves - Blogue: Velas ao Vento (Todos os direitos de autor reservados)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Este gato foi às filhóses


Tentou por aqui,
tentou acolá.
Não conseguiu nada,
voltou para cá.

Iriçou os bidodes,
cheirou o jantar,
enrolou o rabo,
fingiu ronronar.

Deitou-se no chão
perto da lareira.
Fechou um só olho,
pensava na ceia!

Sem fazer barulho,
ficou bem alerta.
Pronto a dar um salto
na horinha certa.

Não é por aí
que o gato lá vai!
Mas este é esperto
e não dá um ai.

Conta cada filhós
que na travessa cai.
Uma vai ser dele
ai isso é que vai!

E chegou a hora
de se escapulir.
Entrou na cozinha,
não estava a dormir!

Lá estão a filhóses
com cheiro a canela.
Lambuzou-se todo
e ninguém deu por ela!

E dizem-se as gentes:
Não é por aí... que o gato vai!
Mas a estas filhóses, este gato foi!


Texto de Luísa Azevedo - Blogues: banana ou chocolate? e Pin-Gente (Todos os direitos de autor reservados)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ter um amigo é tão bom!


- Pssssiut!!!
- ………
- Olá! Estava lá em cima no Blogue da Helena e apeteceu-me vir à janela.
- Blogue? Helena? Ái, desculpa, não estou a ver a que te referes. És nova, por aqui?
- Sou. Comecei há dias a colaborar no espaço da Helena. É fotógrafa.
- Ah! Uma agência de modelos. É isso? Então és modelo.
Lilly desatou a rir. Achou um piadão que aquele rapaz tão bonito achasse que ela era modelo.
- Não. Sou a Lilly. Gosto imenso de escrever e fiquei deliciada com o projecto da Helena. São contos que são lidos por jovens dos 7 aos 77. Respondi ao anúncio, ela gostou e cá estou eu. Ainda não conheço muita gente por aqui e como te vi assim, meio tristonho, perdi a vergonha e vim falar um bocadinho contigo.
Foi a vez de o nosso Azulito rir. Miúda engraçada e que simpática.
- Espera lá, agora que estás a falar, há dias andava por aqui uma rapariga com uma mala ao ombro. Perguntou-me se eu não me importava que me tirasse umas fotografias.
- Só podes ter deixado! Tens umas penas tão bonitas! E essa cor!
- Não me importei. Hesitei um bocadito. Sabes? Eu sou um pavão e nem imaginas o que corre de boatos por aí!
- Então? Boatos?
- Que sou um grande vaidoso, que só olho para mim, que ando atrás das miúdas todas aqui do jardim e não é verdade.
- Mas a Helena é uma ternura de pessoa, uma paixão! Com ela podes falar de tudo.
- Achas mesmo? Não falo assim com as pessoas sobre isto. Ela deveria pensar que eu me estava a armar, sei lá!
- Estás a falar comigo, não estás?
- Mas não és pessoa e já vi que és super simpática.
Lilly adorou e deu um salto e foi pôr-se mais pertinho daquele Pavão tão bonito.
- Pronto! Sou pequenota. Dali do chão não te conseguia ver bem. Mas, diz-me, não gostaste da Helena? Se dizes que sou simpática espera para falar com ela e vais ver! Ela está sempre atenta e claro que te ajudaria a acabar com esse diz que disse.
- Claro que gostei! Ela tratou-me tão bem! Foi-me fotografando. Disse até para me por à vontade e que eu não precisava de posar.
As pessoas que vêm aqui ao jardim adoram ver-me, mas, eu sei que depois me chamam vaidoso e outros nomes que nem te digo. Não faço a mínima ideia porquê mas até me compararam com um tal D. Juan, só que me chamaram D. Pavan.
- És mesmo engraçado! – e Lilly ria, divertidíssima – É porque tu és muito bonito, entendes?
- Tu também. Já te chamaram nomes assim?
- Já! Dizem que sou uma magrela, que pareço uma vara de pauzitos mas eu não ligo nenhuma nem dou ouvidos e tu tens é que fazer exactamente o mesmo.
Importa o que se é por dentro, e já deu para perceber porque é que a Helena te pediu para te fotografar.
- Achas mesmo? Não estás a dizer isso só por dizer?
- Não acho, Azulinho. Tenho a certeza!
- Então porquê? – Chamava-lhe Azulinho. Gostou.
- Eu disse-te que estava lá em cima no Blogue da Lena, não disse?
- Sim, e?...
- Não te disse é que já vi as tuas fotos lá, que ela saiu mas deixou o computador ligado.
- Fiquei na mesma… diz tudo duma vez, ó piolha!
Lilly deu mais um salto e ficou no dorso do amigo que sabia ter encontrado ali.
- Vou contar-te um segredo. A Helena já mandou as tuas fotos para uma amiga para que ela escrevesse uma história sobre ti. Ela sabia que andavas super triste por pensares que gostavam de ti só por seres bonito por fora e como te sabe assim, tão bonito e terno e simpático, achou que te podia ajudar. Vais ver, Amigo. Daqui a dias vais receber muitas visitas e vão olhar-te assim, como ela te olhou, e, nunca mais te vão chamar D. Pavan.
O pavão ficou calado sem saber bem o que dizer. Olharam-se e desataram a rir.
- Há muito que não encontrava um bichito como tu, Lilly. Tens que ir já para o Blogue?
- Não. Estou na minha hora de intervalo, porquê?
- Porque me disseste que começaste a trabalhar há pouco tempo aqui e faço questão de te mostrar este espaço. Afinal, hoje ganhei uma Amiga e há que celebrar.
- Eia! ‘Bora lá que te acompanho. Mas vai com calma que tenho que ir dando uns saltos.
- Nem penses, Minorca! - E piscou-lhe o olho a sorrir – Faço questão de te levar assim para poderes ver tudo cá do alto como deve ser. Vou mostrar-te todos os cantinhos à casa.

Lá em cima, pela janela do Blogue, a Helena sorria.
Que maravilha ver como os visitantes olhavam com tanta ternura um pavão todo vaidoso a passear, com uma Louva a Deus no dorso, toda catita, pelo jardim.
Não resistiu! Foi buscar a máquina para ficar com mais um belo momento.

Texto de Cristina Miranda - Blogue: Lugarejo de Palavras (Todos os direitos de autor reservados)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Dona Aranha e sua teia

Dona Aranha fez a teia,
esqueceu-se do telhado.
É uma bonita renda,
de um só fio entrelaçado.

Muito trabalha a senhora!
Tece o fio que produz.
A teia fica invisível,
quando não lhe bate a luz.

Muito leve e transparente,
para que ninguém a veja.
É assim que ela apanha,
a comida que deseja.

Não julguem que ela é má!
Tem mesmo que o fazer.
Apanha alguns bichitos,
senão não tem que comer.

E depois há os filhotes,
que tem que alimentar.
Boa mãe é esta aranha
e seus filhos quer mimar.

Tem umas patinhas finas,
para não colar na teia.
Esconde-se num cantinho
e espera a sua ceia.

Fez longos metros de seda.
Trabalhou a noite inteira.
Pois agora bem merece
descansar desta canseira.

Texto de Luísa Azevedo - Blogues: banana ou chocolate? e Pin-Gente (Todos os direitos de autor reservados)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Lilly – O porto que fica para além da poesia...



Lilly, a esbelta louva-a-deus, folheava o jornal matinal quando, de repente, o seu olhar se fixou numa apelativa imagem que ilustrava um anúncio não menos aliciante: “Estórias de Bicharocos e Bicharada – Um blogue dos 7 aos 77 Anos”!

Os seus olhos reluziam, impregnados de um entusiasmo crescente, e as ideias atropelavam–se, freneticamente, no seu cérebro ávido de experiências por realizar…

Foi uma manhã calma na Biblioteca Municipal: numa mesa, um pequeno grupo de estudantes – caras risonhas, jeans desbotados, mochilas coloridas, cabelos espetados envoltos num gel brilhante; ao fundo, um homem de meia-idade, fato cinzento, gravata escura, os óculos colados a uma vasta pilha de revistas empoeiradas e, frente ao enorme vitral que abraça a ampla sala, uma secretária exemplarmente organizada na qual Lilly, a bibliotecária, se encontrava envolta nos seus pensamentos sob o som de um teclado ritmado.

O velho relógio bateu as doze horas. A sala estava vazia. Lilly apressou–se a correr as persianas, arrumou uns livros que, delicadamente, foram devolvidos por um grupo de crianças que, entretanto, se fizeram acompanhar da professora primária para seleccionarem o Conto da Semana – um projecto de leitura que Lilly, apaixonadamente, acompanha…

A rua está semi–deserta. A chuva cai, compassadamente, e o frio obriga Lilly a calçar umas luvas que, não fosse a sua destreza habitual, a impossibilitariam de segurar, com ternura e firmeza, a fotografia que recortara do jornal, hoje de manhã.

Os seus olhos astutos procuram o número 17 – a casa da Helena, a proprietária do blogue – esse blogue que a impediu de se concentrar, no seu trabalho, toda a manhã. O vento tenta, em vão, arrancar–lhe a fotografia que, colada ao peito, impele Lilly para um portão em ferro, tons de musgo, e abre portas a um magnifico jardim.


Lilly bate à “porta”. O seu coração dispara aceleradamente e, por breves instantes, pensou recuar, deixar para trás o seu velho sonho de infância. Mas, apesar do nervosismo contagiante, Lilly esperou impacientemente até que o portão se abriu:

Verde intenso, flores multicolores, borboletas acetinadas, um forte cheiro a jasmim recebem Lilly. Os rouxinóis cantam e o sol… A magnifica luz que ilumina este espaço contrasta com o Inverno que se faz notar, lá fora…

Ao longe, Helena, a anfitriã aguarda Lilly. “Sim”, pensa ela, “É perfeita!”. “Lilly será a nova contadora de histórias deste jardim”.

Texto de Carla Alves - Blogue: Velas ao Vento (Todos os direitos de autor reservados)

domingo, 11 de janeiro de 2009

LisSecuritum



Oh, desculpem esta indelicadeza... o meu bocejo representa uma longa noite a guardar a bela cidade de Lisboa... há muitos invasores furtivos por aí. De noite rondam os ratos e ratazanas de esgoto que não param de esburacar as ruas da cidade, de dia são as malucas das pombas que andam sempre a bombardear as pessoas ... isto não é fácil!!

Acho que vou ter de iníciar um processo de recrutamento e formar mais gaivotas... acho que vou recorrer ao microcrédito e abrir uma empresa de segurança. Até já sei o nome... LisSecuritum!!!! Aí é que vai ser, eheheh, não haverá roedor e bombardeiro que resista à minha força de intervenção!
A minha empresa vai ser reconhecida nacionalmente e os serviços vão tornar-se indispensáveis para o bem estar da população... mas, agora vou mergulhar em busca de um belo pequeno-almoço e lavar a minha deslumbrante plumagem.
Olhem para o céu... eu andarei por lá durante o dia!

Texto de Sandra Marques - Blogues: Nas Asas dos Sonhos e Chocolate PB (Todos os direitos de autor reservados)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Abelhinha comilona



Poiso aí e poiso ali,
poiso além e acolá,
vim poisar nesta flor
para ver o que aqui há.



Um pouquinho deste lado
do outro lado talvez
estou a comer muito pouco
vai ficar p'ra outra vez.



Tantas outras cá estiveram,
já pouco resta para mim,
sou a abelhinha comilona,
desculpem, eu sou assim.

Texto de Rui J. Santos - Blogue: altosvoos (Todos os direitos de autor reservados)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bailado da Infância



Às vezes eu voo.
Solto as asas,
Construo fadas
no cantar dos pirilampos.
Sonho, sonho, que sou flor
De trigo, sol
ou pó de amor.
e vou crescer
entardecer
de laranjas, luz e mel
Quero, quero a montanha,
Que disseste.
e adormeço…
entonteço…
num bailado
demorado
de infância, sol e pele…

Texto de Elisabete Simões (Todos os direitos de autor reservados)


2009 está quase, quase a bater à porta.
Desejo a todos que 2009 seja um ano inesquecível por conta das inúmeras alegrias e bons acontecimentos que irão vivenciar.


Myspace Comments, Glitter Graphics at GlitterYourWay.com

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Santo



Naquele lago real, onde a noite era feita de um brilho especial, que só a luz das estrelas guias conseguia suster, todos os seus habitantes viviam em perfeita harmonia.

Peixes dourados davam beijos repenicados aos peixes vermelhos. Os cisnes dançavam dia e noite para que todos pudessem admirar a sua arte, os passarinhos que procuravam comida na água calma debitavam notas de melodiosas canções.

O senhor ganso real nomeado há mais de duas décadas como rei, tudo fazia para que todos fossem felizes.

Como não tinha família preocupava-se com todos de igual forma!

Com a chegada do Natal ao Reino de Pitipum o senhor ganso real Plim-Plim andava numa roda-viva, para que nada corresse mal em casa dos seus amigos.

E tudo fazia para que a festa fosse cheia de alegria e presentes... mas enquanto viajava pelas águas mornas descobriu a um canto um lindo pato branco como a neve, mas com um olhar muito triste.

- Que tens tu meu patinho? Nunca te vi aqui...

- Chamam-me "O Santo" e vim aqui ter através das águas revoltas do rio grande...

- E porque caem lágrimas dos teus olhos?

- Estou perdido e sinto-me muito só... está a chegar o Natal e eu não tenho ninguém...

Plim-Plim sentiu o coração muito apertadinho ao ouvir a voz triste daquele patinho e disse-lhe que podia passar o Natal com eles no reino de Pitipum, mas que se ele não se importasse gostaria de ouvir a sua história.

O Santo contou que viveu sempre num reino muito distante onde as águas eram escuras como o carvão e onde o rei era muito mau para todos. Entrando em guerras com todos os reinos vizinhos. E foi numa dessas guerras que os seus pais morreram, como era muito pequenino meteram-no num orfanato para patos pequeninos, onde ele viveu durante algum tempo e tinha sido aí que lhe tinham começado a chamar o Santo.

- E porquê?

… quis saber o rei

- Acho que era por ajudar todos os outros patinhos, quando tinham fome eu dava-lhes as minhas migalhas e quando tinham frio cobria-os com as minhas penas brancas... sempre que alguém precisava de alguma coisa vinha ter comigo.

- Então és um bom patinho.

- Não... apenas não gosto de ver ninguém triste.

- Mas tu estás triste...

- Porque me sinto muito sozinho desde que o nosso rei mandou fechar o orfanato e, por isso, todos os patinhos ficaram perdidos nas ruas, por essa razão fugi e meti-me no rio grande à procura de outros sítios mais felizes.

- … e chegaste até aqui.

- Sim, hoje de manhã.

- E que estavas a fazer junto ao velho ganso Gaspar?

- Encontrei-o junto dos nenúfares a falar sozinho, cheguei-me perto dele e vi que estava tão só como eu, por isso estava a cantar-lhe uma canção de Natal que a minha mãe me cantava.

O velho ganso aproximou-se... cumprimentou o rei e disse-lhe que tinha encontrado um amigo muito especial.

Feliz o rei pensou que tinha encontrado uma forma de ajudar o pequeno pato.

- Olha lá Santo já ouviste falar no Pai Natal?

- Sim, claro! Quando os meus pais eram vivos ele visitava sempre a nossa casa, mas acho que nunca conseguiu encontrar o caminho do orfanato, porque nunca apareceu por lá!

- Olha sabes que o nosso Pai Natal tem andado muito ocupado... há imensos bebés no nosso reino e ele sozinho não vai conseguir chegar a todas as casas. Que achas de seres o seu ajudante este ano?

- A sério? Está a falar a sério?... e ele não se importa? É que eu não sei fazer nada...

- Sabes sim, sabes dar amor e alegria e isso é o mais importante não só no Natal, mas todos os dias.

E foram os dois até casa do Pai Natal, onde o Santo, de olhos arregalados viu a quantidade de presentes que ali se embrulhava para serem distribuídos na noite de Natal.

Com um lágrima de alegria a rolar até ao seu bico laranja, o Santo começou logo a ajudar o Pai Natal... assim, na noite mágica de 24 de Dezembro os dois sairam e muito contentes foram distribuir as prendas por todos os habitantes de Pitipum.

Ao chegar à última casa o Santo descobriu que lhe faltava um presente. Era o pobre ganso Gaspar. Sem pensar duas vezes tirou algumas das suas penas e ali mesmo fez-lhe uma manta para o aquecer naquele frio Inverno... agradecido o ganso convidou-o para jantar, mas ele disse:

- Prometi ao Pai Natal que jantava com ele esta noite... senão ficará sozinho, queres vir comigo, assim nenhum de nós estará triste ou só!

Rindo o ganso Gaspar sentou-se no skate aquático do Santo e partiram até casa do Pai Natal, onde tiveram a mais bela noite de Natal de sempre.


Texto de Carla Marques - Blogue: Palavras em desalinho (Todos os direitos de autor reservados)


Através deste lindo conto de Natal, escrito pela Carla Marques, aproveito a deixa para desejar a todos os que têm incentivado este projecto , quer através da partilha de criatividade, quer pelos simpáticos comentários que aqui vão deixando, um muito Feliz Natal com muitos sonhos, alegria, paz e amor no coração.

Natal-17671

domingo, 14 de dezembro de 2008

O lago azul e os gansos



Eu sou o Lago Azul, mas hoje porque há algum vento, que enruga as minhas águas e o sol me empresta a sua cor, vesti-me de verde e dourado.

Os gansos gostam de vir deslizar por cima de mim e aqui há muitos gansos.
Mas hoje só vos conto a história destes três que estão a ver:
A gansa mãe Mãezita, Quita sua filha e o ganso Reguila.
Mãezita tomava conta de Quita e, de Reguila seu sobrinho, que brincavam, mergulhando à vez nas minhas águas claras, procurando no fundo, bem visível, o sol que brilhava lá em cima no céu e que parecia que entrava por mim, escondendo-se no fundo.
O ganso Reguila que era mais velho do que Quita, convencera-a, que se mergulhasse bem fundo conseguia apanhar o sol.
O sol, o sol que estava tão alto, lá em cima e que Quita procurava no fundo do lago, sempre acompanhada pelas gargalhadas de Reguila que aqui e ali, também mergulhava, para a não deixar desistir.
Quita, não se importava, porque tinha a certeza de ter visto, bem lá no fundo, o sol tão brilhante.
Já cansada, mas sem querer desistir, resolveu fazer um esforço imenso e nadou, nadou com força até ao fundo do lago, porque queria ir buscar o seu sonho, trazer o sol e brincar com ele.
Como demorou mais tempo a vir à tona, tinha ido tão fundo, Mãezita aflita, ralhou com Reguila por ter convencido Quita a procurar o sol no fundo das minhas transparentes águas e, antes que mãezita o castigasse, Reguila resolveu afastar-se, também preocupado com Quita.
Mas eis que aparece Quita, contente, porque finalmente conseguira apanhar o sol.
Trazia no bico, uma bola amarela, brilhante, que algum menino deixara cair dentro das minhas águas.

Texto de Claras Manhãs (Todos os direitos de autor reservados)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Borboleta Gulosa


É tão bom ser BORBOLETA
Estar poisada numa flor
Colorida como o arco-íris
Irradiando Paz e Amor!

Sou uma BORBOLETA alegre
Uma linda mariposa
Tenho asas e leveza
Vejo o Mundo cor-de-rosa!

Sugo o doce e puro néctar
Desta flor tão apetitosa
Tão vistosa e perfumada
E confesso que "SOU GULOSA"!

É tão bom ser BORBOLETA
Voar e ter liberdade
E brincar com as CRIANÇAS
Colorindo a sua idade!

Texto de Lenita Nabais (Todos os direitos de autor reservados)


A Lenita é uma pessoa como a borboleta aqui representada, linda por fora e um doce por dentro!
Parabéns amiga por mais uma velinha que hoje acrescentaste ao bolo da tua vida!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Há males que vêm por bem



Porque todas as histórias começam por “era uma vez”, era uma vez uma lebre que saíra da ninhada com as suas irmãs para ir começar a vida pelos montes e prados, aprendendo a desenvolver os sentidos e procurar o seu alimento. Nas longas corridas com as lebres da povoação, por muito que se esforçasse ficava sempre para trás e chegada ao destino, as outras esperavam-na, umas com cara de piedade, outras de gozo gritando entre elas “lá vem ela toda maneirinha a cair de bruços no chão, subindo a ravina à dentada, ai não consegue não!”

Torce-se toda à chegada, caminha desfasada cambaleando no meio das ervas, sabe que não corre como as outras e que tem uma pata da frente que dói.
Afasta-se para longe do grupo até à margem do rio em passo lento arrastado e sem espírito de alegria, o desgosto de não ser como as outras lebres magoa mais do que a pata que não a deixa correr. Mergulhada na tristeza ouve a voz saída das águas:
- Aproxima-te – sussurra a voz
Olha à volta e não vislumbra ninguém.
- Aproxima-te – repete a voz desta vez com doçura – Olha para ti, és bela!
Obedecendo à voz, a lebre avança receosa até ao fim da margem e vislumbra a figura no espelho da água, o corpo elegante de pelagem castanha e branca. Quando toma consciência dela própria, fica surpresa por ser aparentemente igual às outras mas depressa o deslumbramento dá lugar à tristeza e recua para o meio da margem, desiludida.
- Sei da tua mágoa – prossegue a voz - Tens de provar que de entre elas todas e até dos outros animais, tu és única, mostra-lhes que és capaz de caminhar sobre as águas e saberão que és uma lebre especial porque elas não serão capazes de o fazer. Há males que vêm por bem, um dia quando ouvirem os sons de uma caçada e a aproximação dos cães, tu terás mais caminhos por onde te escapar, basta que atravesses o rio e encontres a segurança na outra margem. É dentro de ti e na natureza que deves procurar o mais belo presente que existe em cada ser vivo, o dom que o torna único no meio dos outros.

A lebre receosa avança de novo para a água e, insegura, coloca devagar uma pata sobre ela e depois outra, maravilhada por não se afundar, ouve o grupo a aproximar-se com as vozes trocistas e entende de súbito que é o momento de decidir. Agora sabe que é alguém, ganha sopro enfiando todo o poder do corpo nas patas traseiras e num porte orgulhoso caminha sobre as águas perante os olhares incrédulos dos que a gozavam desaparecendo no outro lado, o rasto espelhado ainda nítido desvanecendo-se devagar como que querendo fazer durar a marca da sua presença.


Texto de M. - Blogue: Citadel (Todos os direitos de autor reservados)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De amarelo vou voar



alguma vez te contei que gosto de amarelo?
e eu alguma vez te disse o bem que me fazes quando poisas no amarelo das minhas pétalas?
sim, dizes-me sempre isso!
também tu me dizes sempre que gostas de amarelo!
as tuas pétalas baloiçam ao vento... é bom!
é a minha forma de voar... de sentir a brisa e por ela me deixar embalar.
não sabia que as flores voavam!
eu voo... para te baloiçar nas minhas asas.
nas tuas asas?!
sim! repara como são finas as minhas pétalas. vê como flutuam ao vento... se eu fechar os olhos deixo-me levar, vou voar... voar... voar!
se eu fechar os olhos... vais voar!

Texto de Luísa Azevedo - Blogue: Pin-Gente (Todos os direitos de autor reservados)

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