Lilly – O porto que fica para além da poesia (continuação)...
Curiosa, espreitou! Os seus olhinhos reluzentes encheram–se de vida. “Que lugar magnifico!”. “Que jardim encantador”. “Que palavrinhas tão deliciosas para eu saborear, lentamente, ao serão”.
As suas asas encheram–se instantaneamente de brilho e Lilly, pegando no seu pincel imaginário, pintou–as em tons de festa.
Aproximou–se, destemida. O portão estendeu os seus braços levemente enferrujados e cumprimentou carinhosamente Lilly, oferecendo–lhe uma raríssima tulipa amarela recheada a rum e chocolate.
O cheiro a Primavera perfumou o seu elegante vestido e Lilly bateu, harmoniosamente, as asas deixando–se levitar. Dançou, incansável, ao som de lírios multicolores; cantou, melodiosamente, ao ritmo adocicado da sua harpa de algodão–doce que, lentamente, desfiava as notas (musicais) que saltavam da batuta do dócil maestro – o endiabrado esquilo tenor.
Lilly estava feliz! “Sim” “Ficarei aqui” “Este será o meu novo habitat”, pensava ela, enquanto todos os bicharocos do blogue a aplaudiam encantados. Adoravam Lilly – este ser mágico, irrequieto e cheio de alegria que tanta vida trouxe a este espaço.
Lilly sonhava acordada: já se imaginava a construir os pequeninos canteiros de flores que embalariam tanta poesia, tantas palavras soltas, envoltos em sabores e cores sem fim, construindo um verdadeiro puzzle de emoções.
Lilly agradecia, compassadamente, os aplausos e dando azo a tamanha alegria teceu um bailado impregnado de rara beleza: as suas elegantes asas cobriram–se de lantejoulas cor de champanhe e quando, no ar, delicadamente esvoaçavam polvilhavam o céu de pequeninas estrelas cintilantes.
À medida que as estrelinhas desciam Lilly acompanhava–as, suavemente, e conduzia–as ao lugar que, cada uma delas, ocuparia no blogue para que, a sua luz resplandecente, acompanhasse a leitura atenta de todos aqueles que, por aqui, quisessem passar.