Bem-vindos ao “Estórias de Bicharocos e Bicharada”, um blogue dos 7 aos 77 anos

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Lilly – O porto que fica para além da poesia (continuação)...


Lilly, a pequenina louva–a–deus, voava alegremente num céu de flores coloridas quando, de repente, um portão gigante lhe vedou o caminho.

Curiosa, espreitou! Os seus olhinhos reluzentes encheram–se de vida. “Que lugar magnifico!”. “Que jardim encantador”. “Que palavrinhas tão deliciosas para eu saborear, lentamente, ao serão”.

As suas asas encheram–se instantaneamente de brilho e Lilly, pegando no seu pincel imaginário, pintou–as em tons de festa.

Aproximou–se, destemida. O portão estendeu os seus braços levemente enferrujados e cumprimentou carinhosamente Lilly, oferecendo–lhe uma raríssima tulipa amarela recheada a rum e chocolate.

O cheiro a Primavera perfumou o seu elegante vestido e Lilly bateu, harmoniosamente, as asas deixando–se levitar. Dançou, incansável, ao som de lírios multicolores; cantou, melodiosamente, ao ritmo adocicado da sua harpa de algodão–doce que, lentamente, desfiava as notas (musicais) que saltavam da batuta do dócil maestro – o endiabrado esquilo tenor.

Lilly estava feliz! “Sim” “Ficarei aqui” “Este será o meu novo habitat”, pensava ela, enquanto todos os bicharocos do blogue a aplaudiam encantados. Adoravam Lilly – este ser mágico, irrequieto e cheio de alegria que tanta vida trouxe a este espaço.

Lilly sonhava acordada: já se imaginava a construir os pequeninos canteiros de flores que embalariam tanta poesia, tantas palavras soltas, envoltos em sabores e cores sem fim, construindo um verdadeiro puzzle de emoções.

Lilly agradecia, compassadamente, os aplausos e dando azo a tamanha alegria teceu um bailado impregnado de rara beleza: as suas elegantes asas cobriram–se de lantejoulas cor de champanhe e quando, no ar, delicadamente esvoaçavam polvilhavam o céu de pequeninas estrelas cintilantes.

À medida que as estrelinhas desciam Lilly acompanhava–as, suavemente, e conduzia–as ao lugar que, cada uma delas, ocuparia no blogue para que, a sua luz resplandecente, acompanhasse a leitura atenta de todos aqueles que, por aqui, quisessem passar.

Texto de Carla Alves - Blogue: Velas ao Vento (Todos os direitos de autor reservados)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ter um amigo é tão bom!


- Pssssiut!!!
- ………
- Olá! Estava lá em cima no Blogue da Helena e apeteceu-me vir à janela.
- Blogue? Helena? Ái, desculpa, não estou a ver a que te referes. És nova, por aqui?
- Sou. Comecei há dias a colaborar no espaço da Helena. É fotógrafa.
- Ah! Uma agência de modelos. É isso? Então és modelo.
Lilly desatou a rir. Achou um piadão que aquele rapaz tão bonito achasse que ela era modelo.
- Não. Sou a Lilly. Gosto imenso de escrever e fiquei deliciada com o projecto da Helena. São contos que são lidos por jovens dos 7 aos 77. Respondi ao anúncio, ela gostou e cá estou eu. Ainda não conheço muita gente por aqui e como te vi assim, meio tristonho, perdi a vergonha e vim falar um bocadinho contigo.
Foi a vez de o nosso Azulito rir. Miúda engraçada e que simpática.
- Espera lá, agora que estás a falar, há dias andava por aqui uma rapariga com uma mala ao ombro. Perguntou-me se eu não me importava que me tirasse umas fotografias.
- Só podes ter deixado! Tens umas penas tão bonitas! E essa cor!
- Não me importei. Hesitei um bocadito. Sabes? Eu sou um pavão e nem imaginas o que corre de boatos por aí!
- Então? Boatos?
- Que sou um grande vaidoso, que só olho para mim, que ando atrás das miúdas todas aqui do jardim e não é verdade.
- Mas a Helena é uma ternura de pessoa, uma paixão! Com ela podes falar de tudo.
- Achas mesmo? Não falo assim com as pessoas sobre isto. Ela deveria pensar que eu me estava a armar, sei lá!
- Estás a falar comigo, não estás?
- Mas não és pessoa e já vi que és super simpática.
Lilly adorou e deu um salto e foi pôr-se mais pertinho daquele Pavão tão bonito.
- Pronto! Sou pequenota. Dali do chão não te conseguia ver bem. Mas, diz-me, não gostaste da Helena? Se dizes que sou simpática espera para falar com ela e vais ver! Ela está sempre atenta e claro que te ajudaria a acabar com esse diz que disse.
- Claro que gostei! Ela tratou-me tão bem! Foi-me fotografando. Disse até para me por à vontade e que eu não precisava de posar.
As pessoas que vêm aqui ao jardim adoram ver-me, mas, eu sei que depois me chamam vaidoso e outros nomes que nem te digo. Não faço a mínima ideia porquê mas até me compararam com um tal D. Juan, só que me chamaram D. Pavan.
- És mesmo engraçado! – e Lilly ria, divertidíssima – É porque tu és muito bonito, entendes?
- Tu também. Já te chamaram nomes assim?
- Já! Dizem que sou uma magrela, que pareço uma vara de pauzitos mas eu não ligo nenhuma nem dou ouvidos e tu tens é que fazer exactamente o mesmo.
Importa o que se é por dentro, e já deu para perceber porque é que a Helena te pediu para te fotografar.
- Achas mesmo? Não estás a dizer isso só por dizer?
- Não acho, Azulinho. Tenho a certeza!
- Então porquê? – Chamava-lhe Azulinho. Gostou.
- Eu disse-te que estava lá em cima no Blogue da Lena, não disse?
- Sim, e?...
- Não te disse é que já vi as tuas fotos lá, que ela saiu mas deixou o computador ligado.
- Fiquei na mesma… diz tudo duma vez, ó piolha!
Lilly deu mais um salto e ficou no dorso do amigo que sabia ter encontrado ali.
- Vou contar-te um segredo. A Helena já mandou as tuas fotos para uma amiga para que ela escrevesse uma história sobre ti. Ela sabia que andavas super triste por pensares que gostavam de ti só por seres bonito por fora e como te sabe assim, tão bonito e terno e simpático, achou que te podia ajudar. Vais ver, Amigo. Daqui a dias vais receber muitas visitas e vão olhar-te assim, como ela te olhou, e, nunca mais te vão chamar D. Pavan.
O pavão ficou calado sem saber bem o que dizer. Olharam-se e desataram a rir.
- Há muito que não encontrava um bichito como tu, Lilly. Tens que ir já para o Blogue?
- Não. Estou na minha hora de intervalo, porquê?
- Porque me disseste que começaste a trabalhar há pouco tempo aqui e faço questão de te mostrar este espaço. Afinal, hoje ganhei uma Amiga e há que celebrar.
- Eia! ‘Bora lá que te acompanho. Mas vai com calma que tenho que ir dando uns saltos.
- Nem penses, Minorca! - E piscou-lhe o olho a sorrir – Faço questão de te levar assim para poderes ver tudo cá do alto como deve ser. Vou mostrar-te todos os cantinhos à casa.

Lá em cima, pela janela do Blogue, a Helena sorria.
Que maravilha ver como os visitantes olhavam com tanta ternura um pavão todo vaidoso a passear, com uma Louva a Deus no dorso, toda catita, pelo jardim.
Não resistiu! Foi buscar a máquina para ficar com mais um belo momento.

Texto de Cristina Miranda - Blogue: Lugarejo de Palavras (Todos os direitos de autor reservados)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Lilly – O porto que fica para além da poesia...



Lilly, a esbelta louva-a-deus, folheava o jornal matinal quando, de repente, o seu olhar se fixou numa apelativa imagem que ilustrava um anúncio não menos aliciante: “Estórias de Bicharocos e Bicharada – Um blogue dos 7 aos 77 Anos”!

Os seus olhos reluziam, impregnados de um entusiasmo crescente, e as ideias atropelavam–se, freneticamente, no seu cérebro ávido de experiências por realizar…

Foi uma manhã calma na Biblioteca Municipal: numa mesa, um pequeno grupo de estudantes – caras risonhas, jeans desbotados, mochilas coloridas, cabelos espetados envoltos num gel brilhante; ao fundo, um homem de meia-idade, fato cinzento, gravata escura, os óculos colados a uma vasta pilha de revistas empoeiradas e, frente ao enorme vitral que abraça a ampla sala, uma secretária exemplarmente organizada na qual Lilly, a bibliotecária, se encontrava envolta nos seus pensamentos sob o som de um teclado ritmado.

O velho relógio bateu as doze horas. A sala estava vazia. Lilly apressou–se a correr as persianas, arrumou uns livros que, delicadamente, foram devolvidos por um grupo de crianças que, entretanto, se fizeram acompanhar da professora primária para seleccionarem o Conto da Semana – um projecto de leitura que Lilly, apaixonadamente, acompanha…

A rua está semi–deserta. A chuva cai, compassadamente, e o frio obriga Lilly a calçar umas luvas que, não fosse a sua destreza habitual, a impossibilitariam de segurar, com ternura e firmeza, a fotografia que recortara do jornal, hoje de manhã.

Os seus olhos astutos procuram o número 17 – a casa da Helena, a proprietária do blogue – esse blogue que a impediu de se concentrar, no seu trabalho, toda a manhã. O vento tenta, em vão, arrancar–lhe a fotografia que, colada ao peito, impele Lilly para um portão em ferro, tons de musgo, e abre portas a um magnifico jardim.


Lilly bate à “porta”. O seu coração dispara aceleradamente e, por breves instantes, pensou recuar, deixar para trás o seu velho sonho de infância. Mas, apesar do nervosismo contagiante, Lilly esperou impacientemente até que o portão se abriu:

Verde intenso, flores multicolores, borboletas acetinadas, um forte cheiro a jasmim recebem Lilly. Os rouxinóis cantam e o sol… A magnifica luz que ilumina este espaço contrasta com o Inverno que se faz notar, lá fora…

Ao longe, Helena, a anfitriã aguarda Lilly. “Sim”, pensa ela, “É perfeita!”. “Lilly será a nova contadora de histórias deste jardim”.

Texto de Carla Alves - Blogue: Velas ao Vento (Todos os direitos de autor reservados)

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